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Introdução às Cidades Empresariais

Tem havido muita discussão sobre o que Tyler Cowen chama de estados acionistas. Um estado acionista é uma estrutura de governança territorial na qual os tomadores de decisão têm um incentivo monetário para apresentar desempenho: os tomadores de decisão seriam recompensados por decisões que levem ao crescimento de longo prazo. Esse sistema contrasta com a democracia, onde os tomadores de decisão raramente pensam além do próximo ciclo eleitoral.

Mas nesta discussão está faltando a compreensão da história intelectual das comunidades empresariais, o tipo “mais puro” de estado acionista. Uma comunidade empresarial é uma estrutura de governança territorial sob um proprietário único. Essa estrutura se realiza no âmbito da propriedade privada, dando-lhe uma vantagem em relação às outras estruturas de governança. Em uma comunidade empresarial, há o interesse concentrado na valorização das propriedades dos participantes, o que tem forte correlação com o desenvolvimento econômico de uma área.

O exemplo típico de uma comunidade empresarial é um shopping center. O shopping tem um único proprietário que, nesta condição, aluga espaços para lojas. O shopping oferece bens públicos locais (iluminação, áreas públicas, segurança etc) a fim de tornar o espaço mais atraente para os compradores, aumentando, desta forma, o valor do aluguel que o proprietário do shopping pode cobrar. Uma cidade empresarial seguiria o mesmo modelo de uma comunidade empresarial, mas em uma escala muito maior.

A história das comunidades empresariais começa com Henry George. George era um pensador do século XIX que defendia o comércio completamente livre em tudo, menos em terra. No esquema de George, todas as funções governamentais seriam financiadas por um imposto único sobre a terra. A lógica é a seguinte: uma vez que a oferta de terra é inelástica, ela não se retrairá sob um imposto.

O primeiro defensor das comunidades empresariais foi o industrialista e Georgista Spencer Heath. Heath ganhou dinheiro suficiente durante a Primeira Guerra Mundial para se aposentar cedo, e então dedicou seus últimos anos à atividade intelectual. Ele ajudou a financiar a Henry George School, em Nova York, onde ensinou por vários anos antes de ser convidado a sair por Frank Chodorov.

A visão de Heath era que o governo [estatal] poderia ser removido do Georgismo. Um proprietário poderia substituir o governo, superando problemas morais e de escolha pública. Seus pensamentos estão compilados no livro Citadel, Market and Altar [disponível na seção Biblioteca deste site].

Heath também foi influente no início do movimento libertário. O Circle Bastiat o visitou em seu apartamento de Nova York e Rothbard o citou várias vezes em Man, Economy and State, mostrando grande familiaridade com o seu trabalho. Rothbard até mesmo reconheceu o anarquismo heathiano como uma alternativa à sua visão preferida das agências de defesa não-territoriais.

O neto de Heath, Spencer MacCallum, deu continuidade a seu legado. Treinado como antropólogo, MacCallum examinou o desenvolvimento histórico das comunidades empresariais, incluindo parques industriais, hotéis e acampamentos de trailers. MacCallum está atualmente catalogando os registros do seu avô. Seu livro The Art of Community pode ser encontrado online [disponível na seção Biblioteca deste site].

Desde MacCallum, o programa de pesquisa tem estado amplamente adormecido. Fred Foldvary tem feito pesquisas ao longo de linhas semelhantes, mas se dedicou preferencialmente ao estudo das associações de proprietários [condomínios]. Edward Stringham teve uma breve interlocução com Peter Leeson sobre a viabilidade do anarquismo heathiano. No mais, não há literatura adicional da qual eu esteja ciente.

Deveria haver. Não apenas há um ressurgimento do interesse popular em comunidades empresariais e ideias semelhantes, mas sobretudo, elas podem ser postas em prática em breve. ZEDEs (Zonas para Emprego e Desenvolvimento Econômico) hondurenhas oferecem potencial para se tentar uma comunidade empresarial em uma escala maior. Se eles tiverem sucesso, com certeza serão copiados. As pessoas interessadas fariam bem em mergulhar no patrimônio intelectual da comunidade empresarial.

Tradução: Marcos Aragão
Revisão: Pedro Dias

Artigo Original


Mark Lutter é candidato ao PhD em Economia pela GMU e entusiasta das cidades privadas/comunidades  empresariais. 

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